segunda-feira, 15 de agosto de 2011

BAÚ DA MÃE: A LEI DE CAUSA E EFEITO


Dentro da nossa concepção doutrinária, os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado. Sofremos na vida presente as conseqüências das faltas que cometemos em existências anteriores (que denominamos karma passivo), e tais resgates persistem em nossa jornada reencarnatória até que tenhamos saldado a dívida de nossas imperfeições, pois que as existências são solidárias umas com as outras.

Essa regra também é conhecida como Lei de Ação e Reação, e ela age na proporção exata do bem ou do mal que tenhamos feito anteriormente. A própria Física nos ensina que para cada ação, há uma reação. Muitos escritores espiritualistas expressam o termo “Lei do Retorno”, que sintetiza outra máxima bem similar: “cada um recebe de volta aquilo que tem dado”.

Diversos são os ordenamentos que regem a nossa vida. Leis naturais, biológicas, sociais, entre tantas outras. É curioso observar que a Lei de Causa e Efeito permeia todas elas. Exemplos disso? Vejamos então:

* Se degradarmos o meio ambiente freneticamente, rompendo o equilíbrio de nosso ecossistema, a Lei de Causa Efeito se fará presente em catástrofes naturais (inundações, deslizamentos de terra, furacões, etc.), que cobrarão a restituição do erro que cometemos perante a Mãe Natureza;

* Se violarmos a saúde de nosso próprio corpo físico, através dos tantos vícios que deterioram nosso equilíbrio biológico, sentiremos a força da Lei de Causa e Efeito na contração de moléstias várias, como o Câncer, a AIDS, a Sífilis, dentre outras mórbidas patologias advindas de nossos comportamentos desregrados;

* Se infringimos uma regra social, a Lei de Causa e Efeito se fará presente por medidas coercitivas levadas à cabo pelo nosso Estado de Direito, através dos diplomas legais que disciplinam nossas obrigações enquanto cidadãos.

Está vendo? A Lei de Causa e Efeito é soberana não somente em vaticínios espiritualistas, mas em qualquer esfera da manifestação humana. Para conviver harmoniosamente com ela, devemos aplicar a Lei do Amor, exemplificada por Jesus, que nos ensinou a amar para que sejamos amados. Esta Lei é a força capaz de modificar a estrutura de nossas vidas e penetrar no nosso “eu” para a nossa felicidade.

Quando aplicamos o Evangelho Cristão em nosso âmago, a Lei de Causa e Efeito se instrumentaliza em Lei da Evolução, isto é, de progresso, de compreensão do resgate das faltas cometidas, como forma de sublimação definitiva de nossa consciência. Não podemos nos esquecer que a Lei de Causa e Efeito compõe a estrutura íntima de uma Lei Divinal, plenamente estabelecida no Amor e na Misericórdia. Deus não deseja a punição do infrator, mas sim, deseja o seu reajuste à ordem, ao dever, para a sua própria felicidade. Essa Lei de reajuste rege o Universo desde a Noite dos Tempos, e jamais foi maculada por uma lógica calcada em atos de “vingança divina” – como alguns irmãos equivocadamente gostam de interpretar, com supedâneo em trechos bíblicos.

Que saibamos compreender e respeitar a Lei de Causa Efeito, para merecermos, então, todas as bênçãos celestiais, caminhando a passos largos para a Glória dos Céus.

Jesus nos abençoe hoje e sempre.

Mãe Tina
(artigo originalmente publicado no Periódico Buscando Luz Nº 30 – edição de julho de 1999).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ESTÁ NA HORA, IRMÃOS!

Não importa que você, meu irmão, Umbandista, Ocultista, Magista, Esoterista, Espírita ou seja lá o que for! ...

Você tem uma “gota de luz”?

Se a tem, precisa, já, derramá-la  sobre os que ainda não a possuem...

Pois você deve saber que estamos no fim de um Ciclo onde a seleção, a escoimação ou o expurgo são condições já decididas pelas Hierarquias Superiores, e você precisa cumprir a sua parte! ...

Então, por que essa indiferença, se você sabe e tem meios de elucidar, doutrinar, etc.? o que está esperando? ...

A sua indiferença, o seu comodismo podem não ser conivência direta com os erros, com a exploração, mas talvez seja uma covardia espiritual...

Você sabe que todos que podem de alguma maneira cooperar no combate à ignorância religiosa, à exploração sobre qualquer aspecto, já estão com o “dedo do astral” em cima? Já foram apontados, fichados para esse mister?

Você quer ser fichado nos Tribunais do Astral como indiferente? Porque sua indiferença já foi assim “classificada”: ou é comodismo do egoísta, ou conivência, ou covardia espiritual...

Não se iluda com certas “fórmulas filosóficas” que pregam o desprendimento de tudo...

Ninguém foge à luta, ao combate espiritual, sem cair nas injunções sombrias de seu próprio Karma, pois ninguém dá as costas ao cego de espírito, aos de entendimento ofuscado, e, sobretudo, aos que somente estão esperando “uma gota de luz”, tendo meios pra isso, sem que sofra as conseqüências de sua covardia espiritual...

Sim! Você está meditando sobre isso? Mas, está claro. O caso se resume nisso: Você, podendo, não faz, tendo pra dar, não dá...

Ah! Já sei... Você é apenas um acomodado, não quer contrariar ninguém... Pois sim... Você será incomodado por outros lados...

Irmão Umbandista, Magista, Esoterista, etc.: Cumpra a sua parte desassombradamente! Você tem uma gota de luz! ... Derrame-a sobre a ignorância de seus outros irmãos...

Desencarne levando esse “crédito” para sua ficha kármica, que é o de ter feito todo o possível para ajudar na evolução de seus semelhantes, esclarecendo-os.

Se você é desses que vivem lendo obras espiritualistas, esotéricas, espíritas e mesmo os Evangelhos só para o seu “bem-estar”, não se preocupando em elucidar, quando tem oportunidade, saiba que isso é uma forma de egoísmo muito prejudicial... a você mesmo. Porque você não desconhece o efeito dessa Lei: “dando é que nos credenciamos a receber”...

Sim, não adianta pensar e procurar uma evasiva. Atente: aquele que se intera das grandes verdades pelas luzes que lhes são próprias, deve espalhá-las, deve reparti-las, sempre que puder. Sem que, com isso, queira apagar sozinho a “imensa fogueira do mundo”... Porém, dê o seu “copo de água”...


W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani)
[originalmente publicada no livro Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda (1964) - Livraria Freitas Bastos].


domingo, 7 de agosto de 2011

UMBANDA, QUEM ÉS?

Oh! Senhora do Karmana... eis-me aqui, pobre “eu” que geme na penumbra da forma e exausto, se arrastando, chega ao pé da TUA PORTA... abafa esse grito ansiado que vibra dentro de minha alma. Ele afere como se instrumentos invisíveis tivessem estacionado seus “NÚMEROS musicais de SONS COLORIDOS”, num lamentoso ... e escuta então.

Contas venho prestar; de YOXANAN, ordens cumpridas dei; em ALERTAS, sua Voz lancei...; de ADVERTÊNCIA seus conselhos espalhei; de CÓLERA, seu “brado” vibrei, e na lousa fria da razão, suas VERDADES REVELEI... E somente o “eco” de um silêncio tumular foi a resposta que senti de “tuas almas”, chegar.

Agora, genuflexo ao pó do “plano terra”, torno a implorar: Oh! Senhora da Banda, sopra chamas de Luz em teus diletos filhos, pois parece, continuam na silenciosa expectativa do ser ou não ser, do duvidar ou crer; dize porque hei de ver tua Lei na interpretação obscurecida de umas “tantas quantidades”, como se de papiros poluídos fossem os fundamentos teus...

Serás, por acaso, essa cigana corriqueira, enfeitada de colares de louça e vidro, que, em requebros lascivos, danças e cantas, despertando o atavismo, essa herança discutível, e estendes as mãos onde as castanholas se chocam, mostrando no multicor das “gangas”, paisagens convidativas, que envolvem aconchegos e conchavos?

Serás talvez, essa dama coberta de sêda e veludo, que habita nesses Templos brilhantes de mármores furta-cores, onde se espalha a Vaidade de seus “donos”, ou serás essa Vestal, de roupagens brancas, que no balouçar das cortinas, deixa apenas aos míseros mortais, entrever um mundo de sonhos orientais, não se podendo distinguir que espécie de Umbanda és?...

Serás ainda essa umbanda que alguns plantarem e outros querem semear, cujas raízes foram transformadas em galhos de Lendas e folhas de Mitologias, gerando frutos exóticos, cujo sabor está em relação com a gula que “cada um tem” de ser seu único e exclusivo possuidor?

E será. Oh! porque será que teus “Orixás” estão em tão prolongado silêncio?...

Será que por “verem” tantos e tantos aparelhos se construírem em veículos próprios e, em conseqüência, “dispensarem os serviços” desses mesmos guias e protetores, passando a fazer de tuas mais simples verdades, um fascinante baralho de “mirongas”, procurando impingir a Gregos e Troianos, o A, B, C, que eles ainda não sabem nem por onde começar?

E assim, como sempre, na inspiração de algo que está em mim e NÃO é meu, a YOXANAN clamei: Mestre meu e de mais seis, mas que “fixado” em mim és como tu mesmo o disseste: TRADUZ, Senhor, essas vozes cantantes que agora ouço!...
Ele então, na transfiguração impressionante de sua LUZ ofuscante, VEICULOU:

EU SOU a SENHORA DA LUZ-VELADA, essa UMBANDA DE TODOS VÓS, Mãe geradora de todas as ciências, pois que SOU a própria MAGIA, “veículo-básico” do SUPREMO-LUMINADO...

É por mim que SEUS “pensamentos-ordens” fazem as vibrações se conjugarem, da Unidade à Totalidade, do Marco Inicial ao Ponto Final da Única Verdade, RELIGANDO todas as místicas a uma só causa-original...

Eu ONTEM fui Aquela que conheci a tudo e a todos e SOU essa que desperta em toda alma, a concepção da EXISTÊNCIA DÊLE; em RAMA firmei seu VERBO REVELADOR, e DAÍ “meu manto ser sempre visto de várias formas”; no entanto, EU SOU O PRÓPRIO MANTO DO INCRIADO...

... mas, HOJE eu sou ONTEM e minha “IDADE” é revelada por uns “quantos na forma” e por outros “tantos no espaço”, “ORIXÁS” que são em cima ou embaixo...

E ainda vos digo: minhas manifestações são “ordenadas por UM”, dirigidas por VÁRIOS e executadas por MUITOS, pois que tudo “é movimento de SUA VONTADE”, antes mesmo que Ele desse “vida-ativa” aos INCRIADOS espíritos, CRIANDO-LHES “almas em Si”, pelo sopro do Livre Arbítrio, desde quando começaram a GERAR SEUS PRÓPRIOS KARMAS... e assim velando, de YOXANAN, “ISSO” escutei: e por quanto tempo ainda?... isso, eu não sei...


W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani)
[originalmente publicada no livro Umbanda de Todos Nós, 2ª edição (1960) - Livraria Freitas Bastos].



Nossa nota *:

Este contundente ensaio de W.W. da Matta e Silva, escrito logo no início de sua jornada como escritor, revela a angústia e a revolta de um médium preocupado com a sublimação dos mitos e ritos atrelados à doutrina umbandista. É um apelo aos prosélitos da Umbanda, para que estes possam praticá-la com a devida maturidade, afastando-a de fetiches e atavismos que constituem perigosos portais para nossa falência moral e mediúnica. A introdução e a conclusão do artigo são revestidas de profundo esoterismo, e remontam aos Arcanos Maiores que envolvem nossa razão existencial. Entrementes, a partir do quarto parágrafo, notamos um desabafo pungente, um retrato dos desvarios cometidos por tantos médiuns, que, balançados por armadilhas do corpo e da mente, se envolvem em intrincados processos obsessivos, que também acabam por deturpar a imagem de nossa Mãe Umbanda.

Em diálogo com Yoxanan (nome esotérico de Pai Guiné), Pai da Matta vislumbra a “instrumentalização” desse Preto-Velho em uma luminosidade que releva as mais profundas raízes da Umbanda, desde os primevos tempos da humanidade. Curiosamente, essa revelação da SENHORA DA LUZ-VELADA é bem similar ao evento que encontramos na sétima parte do Bhagavad Gita – obra clássica do esoterismo hindu. Nela, Krishna, um mensageiro de Deus, permite que seu discípulo Arjuna seja alçado à Suprema altura da Realidade metafísica, para enxergar a sublime razão de ser de todas as coisas. Vemos então uma Umbanda que, apesar de circunscrita a a contextos étnicos, sociais e culturais próprios da nação brasileira, possui uma ontologia fenomenológica milenar, que remonta à aurora da religiosidade humana.

Enfim, trata-se de um artigo de profundo alcance iniciático, que exige do leitor certo esforço intelectual, para lidar com a medida exata do puro esoterismo de Umbanda, tão bem traçado e versado pelo saudoso Mestre Yapacani. 


* por Luciano M. Leite

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

BAÚ DA MÃE: SER MÉDIUM


Reflitamos sobre o médium.

Retornando à Terra com o sexto sentido em afloração, ainda não disciplinado, traz todos os problemas individuais de uma alma em luta consigo mesma. Não é mais e nem menos endividado que as demais criaturas em trânsito educativo pela escola terrestre.

Não é mais e nem menos privilegiado por trazer uma faculdade que se tornará comum, gradativamente, a todos nós encarnados. Sua mediunidade, porém, é convite a serviço.

A sua fé incipiente, contudo, não lhe dá a firmeza de ânimo indispensável aos grandes empreendimentos espirituais à face de nossa Humanidade. Sente-se, por isso, repleto de dúvidas e hesitações, enquanto só muito lentamente a sua confiança no Alto se solidifica. A sua coragem ainda é criança, e ao mesmo pode se instalar em seu íntimo, e ele, temeroso, poderia abandonar o campo autoeducativo, mal informado e temendo represálias, por desconhecer o mecanismo do intermédio.

De experiência diminuta, poderia entregar-se afoito às influenciações inferiores, e dispensar os estudos em torno de sua nova faculdade, confiando em guias e mentores o desinteresse intrigado por pedinchões inveterados. Poderá deixar-se conduzir ao magismo vulgar e ao sortilégio barato, consorciando-se com irmãos compromissados com organizações anticristãs das zonas umbralinas. Sua faculdade, então, aflorará adoecida pelos miasmos mentais e servirá apenas, como instrumento de adormecimento do senso moral de seus companheiros encarnados que se encontram chumbados a problemas comezinhos do cotidiano, despreocupados da Vida Eterna.

Acutilado por mentes angustiadas, poderá ser antena a registrar as ondas que evocam desequilibradamente familiares desencarnados ou entidades de poderes aparentemente miraculosos para amenizar a existência do suplicante, desvendando-lhe o futuro ou prometendo-lhe solucionar questões intricadas e forrá-lo de surpresas desagradáveis no campo das finanças. Doentes cerca-lo-ão com suas formas/pagamentos de disfunção orgânica, exigindo o restabelecimento de males que teimam em alimentar em si mesmos, num capricho de demência velada. Outros, inconformados, exigirão miraculosas intervenções ou receituário infalível.

Não. Ser médium, é ser intermediário de Mensageiros Divinos que, trarão apenas mensagens suaves e de inenarrável ternura e beleza, bem como advertências e avisos que poderão amenizar sofrimentos e alertar para a vida em Cristo Jesus. É sabido por todos nós que existem médiuns gananciosos que fazem uso de sua faculdade para o ganho fácil. Estes, saibam todos, são pessoas que não tiveram a educação mediúnica para lidar com os Espíritos de Luz, se escravizando com aqueles inferiores.

Mediunidade não é sinal de santificação e também não é estigma de pecados irremissíveis. É tão e unicamente um meio de comunicação com os Espíritos Elevados entre dois planos: o visível e o invisível. Para isto, os dirigentes que buscam manter a Lei de Deus e seus ensinamentos, adotam a educação mediúnica, buscando orientar seus seguidores com amor, dedicação e respeito. Sejamos todos médiuns cientes de que estamos sendo vigiados para que o exercício da nossa faculdade seja pura, alva e correta.

Mãe Tina
(artigo originalmente publicado no Periódico Buscando Luz Nº 35 – edição de dezembro de 1999).