Mostrando postagens com marcador Nossa Raiz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nossa Raiz. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de maio de 2014

Indignidade: Ainda desrespeitam nossa Umbanda

Em matéria apresentada no Jornal Nacional do dia 17/05/2014, veiculado pela Rede Globo, surpreendemo-nos pela total ignorância de uma magistrado federal.
O Juiz Eugênio Rosa de Araújo além de não se apoiar em amplos conhecimentos sobre religião ainda favorece a discriminação e o preconceito a Sagrada Corrente da Umbanda que em muitos casos se torna o último alento para aqueles que não conseguem se confortar e se equilibrar nos demais cultos religiosos.
Em certo ponto ele está correto, pois aqueles que seguem os ensinamentos de Jesus Cristo são praticantes da RELIGIÃO CRISTÃ que se baseia nos princípios da Bíblia, em especial na crença de um Deus UNO, pai criador.
Se assim considerarmos, o Catolicismo, o Protestantismo, a Umbanda, o Espiritismo  dentre outros, não são religiões e sim segmentos doutrinários que se norteiam pelo Cristianismo, ai sim uma Religião.
Falta ao Meritísimo Juiz Federal do Rio de Janeiro, conhecer até mesmo o próprio sentido da palavra RELIGIÃO que segundo o Dicionário Aurélio trata-se de :

s.f. Culto rendido à divindade. / Fé; convicções religiosas, crença: a religião transforma o indivíduo. / Doutrina religiosa: religião cristã. / Tendência para crer em um ente supremo. / Acatamento às coisas santas. / Fig. Coisa a que se vota respeito: o trabalho era para ele uma religião.
Se ele desejar aprofundar um pouco mais deveria buscar a etimologia do termo RELIGIÃO:  um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais; é muitas vezes usada como sinônimo de  ou sistema de crença, mas a religião difere da crença privada na medida em que tem um aspecto público; a  maioria das religiões têm comportamentos organizados, incluindo hierarquias clericais, uma definição do que constitui a adesão ou filiação, congregações de leigos, reuniões regulares ou serviços para fins de veneração ou adoração de uma divindade ou para oração, com lugares (naturais ou arquitetônicos) e/ou escrituras sagradas para seus praticantes.
E para trazer ao Sr Eugênio mais esclarecimentos,apresentamos a origem do termo que provém do verbo RELIGARE em latim e significa religar, o que sob a óticia da filosofia religiosa, refere-se ao ato de voltar a ligar o homem a Deus, cujo maior exemplo de realização desta proposta foi Jesus Cristo, para os CRISTÃOS como nós.
Então vamos raciocinar um pouco, com base nas definições aqui apresentadas:
1)                 Culto rendido à divindade: Ao contrário do que muitos acreditam, a Umbanda é monoteísta e crê em um DEUS uno, criador do Universo, e chamado de OLORUM. Este ó primeiro postulado da Umbanda,
2)                 A Umbanda é uma religião Cristã, pois seu maior representante na Terra é Oxalá, que no sincretismo religioso corresponde a Jesus Cristo,
3)                 Cremos na imortalidade de alma e portanto ensinamos nossos praticantes a buscarem sua evolução espiritual através dos ensinamentos morais contido especialmente no Novo Testamento que narra os feitos do filho de Deus feito homem para nos salvar,
4)                 Não temos uma Biblia Umbandista, pois como religão cristã seguimos os ensinamentos da mesma Bíblia dos Católicos, dos Protestantes e demais cristãos,
5)                 Acatamos as coisas santas e ensinamos o respeito a Deus, aos Orixás, ao Planeta Terra e a todos os seres que o habitam,
6)                 Nosso sistema de crença é organizado, possui uma hierarquia sacerdotal cujos discípulos necessitam  se  preparar moral, intelectual e religiosamente para conduzir ou  mesmo pertencer a um Templo Sagrado de Umbanda,
7)                 Somos uma congregação com adeptos, praticantes ou não, com reuniões regulares para venerar e orar  a Deus e ajudar a humanidade a encontrar o caminho da felicidade.
Em suma, incentivamos a paz universal, a caridade e a fraternidade a todo irmão que adentra nossas instalções, sem distinção de credo, raça ou posição social, atitudes diferentes de um honorável Juiz que deveria ser um conciliador de ações que promovem o preconceito e a discriminação.
Esperamos com nossas humildes palavras e parco conhecimento diante um representante de nosso sistema jurídico, que possamos trazer alguns esclarecimentos a ele e a outros leigos,  pedindo respeito ao nosso culto de amor, para que todos nos ajudem a propagar a paz e não as trevas.
Convoco a todos que conhecem a verdadeira natureza dos nossa fé e que nos ajudem a divulgar a realidade de nossa Crença, cuja pretensão é simplestemente cumprir a maior presmissa cristã: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu  entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." (Marcos 12:30-31)
Enviamos a Deus/Olorum nossas rogativas de paz, luz, amor e harmonia sempre!

Saravá

Mãe Andréa

domingo, 17 de março de 2013

FILME INÉDITO MOSTRA A VIDA E A OBRA DE W.W. DA MATTA E SILVA



Recentemente, toda a massa de prosélitos da Raiz de Guiné foi agraciada com a descoberta e ‘liberação’ de um raro documentário produzido por Rogério Sganzerla, em 1986, que foca a rotina da vida mundana e sacerdotal de nosso mestre Woodrow Wilson da Matta e Silva (Yapacani), preconizador da Umbanda Esotérica. O vídeo, com dezenove minutos de duração, talvez seja um dos poucos registros audiovisuais de Matta e Silva ainda existentes, tendo em vista que várias de suas outras aparições televisivas, na década de 70, se perderam por conta da extinção ou destruição do acervo de emissoras e cinegrafistas.

Ritos Populares, Umbanda no Brasil (Rogério Sganzerla, 1986) já está disponível no Youtube, no link a seguir:





domingo, 3 de março de 2013

.




O TRABALHO DOS GUARDIÕES EXUS

(palestra proferida por Sheila Teixeira, membro da TUEDLUZ, em 30/11/2012)
 

Tudo no universo é regido por uma organização hierárquica que organiza e mantém a ordem, a proteção e faz cumprir os desígnios do Alto. Mesmo nos reinos inferiores em evolução, podemos observar uma hierarquia estabelecida. 


No reino animal, por exemplo, temos entre as abelhas a seguinte hierarquia: A abelha rainha, os zangões, as soldados, as operárias, as amas. Assim se segue entre as formigas, elefantes, lobos, pássaros e assim por diante. A evolução humana deu um grande salto, a partir do momento em que os grupos nômades passaram a se organizarem hierarquicamente e cada um assumiu uma função específica dentro do grupo, contribuindo assim para que houvesse ordem, harmonia e preservação da espécie.


Como tudo que existe no mundo manifesto é uma representação do Reino Divino, não há como não reconhecer a organização hierárquica espiritual. Dentro da visão da Umbanda, reconhecemos no que se chama Reino virginal, ou seja, de onde emanam todas as formas de manifestação da divindade, as 7 forças dos orixás, representado os 7 aspectos de Deus. Os orixás são: Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yori, Yorimá, Yemanjá.

Mas, onde está a vibração Exu?


Segundo Rivas Neto, no livro: Exu – o Grande Arcano: “No Reino Virginal, não há necessidade de se movimentar energias, porque não há energia. Não é preciso guardar nenhuma zona, porque não há zona nenhuma. Essa condição é suficiente para justificar o fato de que no Reino virginal não existe Exu.”


Os orixás são forças idealizadoras da lei Divina. Mas faltava o elemento de ligação que pudesse movimentar e fazer cumprir essas leis no plano da matéria. Era o terceiro elemento que faltava, o elemento do equilíbrio, o elemento executor: Exu.


A trindade está presente em inúmeras correntes do pensamento humano. Representa a força perfeita, onde se pode sair da polaridade representada pelos opostos na dualidade e equilibrar com o terceiro elemento neutro. Como Pai, Filho e Espírito Santo; Yin, yang e Panku (o elemento neutro); Bharma, Vishnu e Shiva;  Osíris, Tiphon e Hórus e por aí vai… Se no reino espiritual, tudo é considerado amor, luz e sabedoria, do outro lado da casa do Pai existe a treva, no sentido de falta de luz e não de coisa ruim. Por isso, os primeiros a manipular a substância etérica foram considerados com “espíritos das trevas”.
 

O guardião das trevas e das sombras, ou seja de toda a manifestação da matéria, foi também chamado guardião Telúrico ou Planetário. Têm esse nome porque são impessoais, estão em essência espiritual como os orixás, ou seja, não encarnam.


Assim, a hierarquia da força Exu, vai se densificando à medida da necessidade de manter a ordem em circunstâncias cada vez mais específicas da matéria. Espíritos em evolução assumem tarefas junto ao plano físico conforme seu nível de conhecimento, responsabilidade, comprometimento e desenvolvimento moral. Recebem de hierarquias superiores as ordens e as cumprem, conforme suas especializações. Os espíritos aqui presentes hoje são seres humanos como nós, seguindo sua evolução, mas que pertencem à ordem dos Exus, que guarda e faz cumprir a Lei do Karma, a lei de ação e reação. Essa Lei foi reconhecida pela ciência através da teoria da relatividade descrita por Einstein: “Para toda ação, existe uma reação na mesma intensidade e em sentido contrário”.
 

A contraparte feminina na força Exu, é chamada de Pombojiras. São espíritos de natureza feminina, que se ocupam de equilibrar e sanear as emoções, formas pensamentos desordenadas e prejudiciais tanto à saúde física quanto espiritual das pessoas. Muito mal compreendidas, a Bombojiras desempenham um papel fundamental na segurança e reequilíbrio psíquico-emocional da humanidade.


O Exu Planetário é representado simbolicamente pelo triangulo invertido do hexagrama, sendo correspondentes do orixá Ancestral e de toda sua hierarquia constituída: Chefes de Legião, Chefes de falange, Chefes de subfalanges, Chefes de Coluna, Subchefes de Coluna, e os integrantes da Coluna. E é com imensa gratidão, que realizamos na Umbanda estas homenagens a essa classe de irmãos nossos, que dedicam todo seu tempo, energia, conhecimento, a servir à humanidade, mantendo a ordem, a disciplina, a segurança individual, das famílias, das ruas, das cidades, dos países, dos planetas.


Agora, vamos aprender um ponto cantado que explica bem o trabalho como Senhor do Karma do Exu das Sete Encruzilhadas, Guardião da linha de Orixalá.



"SETE ENCRUZA BATE DEVAGAR DEVAGARINHO  
(ou seja tem paciência, dá várias oportunidades que às vezes são em forma de dor/prejuízo.)

SETE ENCRUZA BATE DE MANSINHO
(ele não quer machucar, tem piedade, mas precisa ensinar...)

É LEI É LEI É LEI     
(de causa e efeito)

SE VACILOU
(não adianta pedir, implorar, pois a Lei do Karma é certeira)

NÃO SE GUARDOU
(orai e vigiai!)

É LEI É LEI É LEI

VOCÊ PEDIU
(e mereceu, fez por onde)

VOCÊ GANHOU..."


 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


REFLEXÕES RÁPIDAS PARA A SEMANA

Frase de Pai Guiné:
“Palácio de Preto-Velho de verdade é ranchinho de sapé!”

Frase de Matta e Silva:
“Diga-me o que pensa e eu lhe direi quem lhe acompanha.”

“A não ser que o Senhor edifique a Casa, trabalham em vão os que a constroem.”
Salmo 127

“A Iluminação dissolve todas as ligaduras materiais e une os homens com elos dourados da compreensão espiritual; só reconhece a liderança do Cristo. Não possui ritual, a não ser o Amor Divino, impessoal, universal. Não há adoração, a não ser a chama interna, que sempre arde no santuário do Espírito. Esta união é o estado livre da fraternidade espiritual. Sua única restrição é a disciplina da alma. Portanto, conheçamos a liberdade sem licenciosidade. Somos um universo unido, sem limites físicos, um serviço divino a Deus, sem cerimoniais, nem credos. Os iluminados caminham sem temor – pela Graça.”
Joel Goldsmith (O Caminho do Infinito)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012



UMBANDA NÃO É ESPIRITISMO PARTICULARIZADO COMO DE KARDEC, TAMPOUCO O CHAMADO AFRICANISMO...

É comum a controvérsia de uns e de outros, quanto a Umbanda ser um "aspecto" ou modalidade do chamado Espiritismo dito de Kardec. Estes estudiosos parecem que não estudaram a "coisa" como ela é e se apresenta. Batem-se no ponto de que no Umbandismo existe a manifestação dos espíritos e no Espiritismo, também. É este o cavalo de batalha deles. Vamos elucidar essa questão, pois já gastaram muita tinta e papel nisso...

Ora, todos sabem que quem particularizou o termo espiritismo foi Allan Kardec, para traduzir por ele certos ensinamentos dos espíritos. A palavra espírito se perde na antiguidade, dentro dos livros religiosos de vários povos, inclusive nos Vedas, dos Brahmas, no Livro dos Mortos dos Egípcios, nas obras de Fo-HY, um dos mais antigos sábios da China, na Bíblia de Moysés, na Kabala dos Judeus, nos evangelhos ditos do Cristo, e, para não citarmos mais, na antiqüíssima Bíblia Maya-Quiché – o Popol-Vuh, etc.

Mas, que se deve entender realmente por Espiritismo? Segundo Kardec, é a doutrina dos espíritos. Como vêem, pelo exposto, revelar a doutrina ou as coisas do espírito não foi privilégio nem de uns ou de outros. “Diremos, pois, que a doutrina espírita ou Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os espíritos ou seres do mundo invisível, etc.” (O Livro dos Espíritos, introdução, página 11) E estes espíritos? Foram engendrados exclusivamente por Kardec, para criarem uma doutrina sua – própria?

Ora, estas relações, esta doutrina, que também traduzem as Eternas verdades, são tão velhas quanto a própria humanidade, porquanto podem ser identificadas nestes ditos antigos e sagrados livros das mais velhas religiões do mundo. É só compararmos os 34 itens com que ele (Kardec) fundamentou os ‘pontos principais’ da doutrina que os espíritos transmitiram, na introdução de “O Livro dos Espíritos”.

Então, devemos reconhecer que a essência desta doutrina, espíritos e suas relações com o mundo da forma, comunicações, revelações, fenômenos inerentes à mediunidade são FATOS que remontam aos primórdios das civilizações, não são, portanto, REALIDADES somente conhecidas de 1857 aos nossos dias. E a Umbanda tem como vértice de sua razão de ser, desde as eras primitivas, ou melhor, particularmente desde a 2ª Raça-Raiz, ou Lemurianos, numa Era de Escorpião – o signo da Magia, a exteriorização periódica ou por ciclos destes fatos, ressurgiu na atualidade, como no passado, entre os Atlantes, os Mayas e os Quiches, os Tupy-Guaranis e os Tupy-Nambás da época pré-cabraliana, bem como há milênios, quando do antigo apogeu da raça africana, que conservou dentro da tradição oral, até nossos dias, farrapos desta Lei ou desta Doutrina – revelação do próprio Verbo – primitiva síntese religio-científica, cujas derivações podem ser identificadas nos diferentes sistemas religiosos (pelo aspecto esotérico) de todas as raças.

Agora vamos definir positivamente uma regra: que Kardec codificou, isto é, propagou, apenas, PARTE dessas antigas verdades - reveladas pelos espíritos de acordo com a época - expressões de uma Lei, imutável, que vêm sendo confirmadas e ampliadas dentro das nossas Linhas de Umbanda, por grandes instrutores, espíritos altamente evoluídos, que consideramos como Orixás intermediários e Guias, que têm como missão precípua reconstituir as partes restantes, ou seja, o todo....
O que ressalta então, claramente do exposto? Que há uma certa identidade entre o Espiritismo e a Umbanda. Esta identidade se verifica, quanto à Doutrina, à manifestação e comunicação dos espíritos, pelo fator mediúnico, bem como pela parte científica, filosófica e moral, etc...Mas, sobrepõe-se logo, numa comparação, o seguinte: a Lei de Umbanda NÃO É o Espiritismo, APENAS. Este, com todo seu conteúdo, é que faz parte da Umbanda, isto é, se integra ou se ABSORVE NELA.

Na Umbanda, ALÉM da parte filosófica, científica, doutrinária e dos fenômenos da mediunidade, pela manifestação, desta ou daquela forma, dos espíritos, formando estas coisas, os atributos principais e tacitamente reconhecidos como particularizando a Escola Kardecista, tema Umbanda ainda, bem definido, o aspecto propriamente dito de uma Religião, pela Liturgia, Ritual, Simbologia, Mitologia, Mística, bem como pela Magia, Astrologia esotérica e outras correlações de Forças NÃO PRATICADAS no denominado espiritismo, e, portanto, nele INEXISTENTES ...

W.W. da Matta e Silva
Umbanda – Sua Eterna Doutrina, Edição 1998, página 43.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012


A UMBANDA E SUAS CLASSES DE ENTENDIMENTO

Pai da Matta (ao centro) em palestra na T.U.O. - década de 70



No texto abaixo, veremos a transcrição do trecho de uma  interessante conversa havida entre um pesquisador e um 'preto-velho' - mediunicamente manifestado em W.W. da Matta e Silva:

Cícero: - Oh! Sábio “preto-velho”, como se qualificam, no panorama de tantos e tantos “terreiros”, as modalidades de “umbandas” existentes? Essa lei, essa corrente, esse movimento não obedece a diretrizes ou regras de cima para baixo?

Preto-velho: - Sim... Boa pergunta você me fez, oh! Filho esperto... Neste panorama umbandista, você pode identificar, com a maior facilidade, três classes de umbandas praticadas...

A PRIMEIRA CLASSE é a que engloba o maior número de agrupamentos ou terreiros. Está puramente construída pelos seres humanos. É essa mescla rudimentar, confusa de cada um fazer o seu “terreiro”, seu ritual, segundo o seu entendimento ou a sua “sabedoria” sobre Umbanda, sabedoria essa baseada exclusivamente, no que viu e ouviu em outros “terreiros” similares, onde predomina o sincretismo afro-católico.

Esses ambientes nos dão muito trabalho de fiscalização astral – de cima – pois estão fortemente influenciados pelo baixo mundo astral. Nesses agrupamentos, a doutrina é quase inexistente. De Evangelho, quando alguém lhes fala, bocejam de tédio e indiferença. Não há quem faça a adaptação desses evangelhos a seus entendimentos, levando em conta seus estados de consciência – de ignorância dessas coisas; mas o incremento da luz prossegue, por baixo e por cima, firme e serenamente, enquanto eles se ocupam mais em tocar seus tambores e bater suas palmas.

A SEGUNDA CLASSE vem com menos volume de agrupamentos e se prende àqueles que são mais elevados, mais simples; desejam praticar Umbanda, pautada nos ensinamentos evangélicos, no que eles revelam de mais necessário. Para isso, apelam para a corrente dos “caboclos” e “pretos-velhos” a fim de ajudá-los nesse mister. Fazem um ritual suave, sem palavras, sem tambores. Aproveitam a força e a beleza de certos pontos cantados ou hinos, que sabem serem de raiz.

Esse é um dos aspectos que aprovamos, dada a sinceridade de propósitos, desde que não saiam da faixa religiosa, doutrinária e mesmo de certa cautela com o lado fenomênico.

Assim, procuramos com paciência e até mesmo tentamos localizar algum possível aparelho ou veículo mediúnico e, por ele, fazer positivas incorporações para estabelecermos os Princípios ou Regras da Umbanda na teoria e na prática.

A TERCEIRA CLASSE, com uma quantidade mínima de agrupamento, é a que se identifica com Ordens e Direitos de Trabalho. Isso acontece quando temos ordem para agir sobre um legítimo aparelho ou médium. Aí, imediatamente estabelecemos esses citados Princípios ou Regras da Umbanda, a par com a caridade que vamos praticando. Esse é o único aspecto ou classe capacitada a movimentar a terapêutica dita como natural e astral, dentro da magia positiva, sempre para o Bem comum e que se firma nos verdadeiros sinais riscados e já classificados como Lei de Pemba e sobre os quais voltarei a falar.

Agora, devo frisar o seguinte: o nosso contato – dos Guias e Protetores – com esses médiuns e aparelhos-positivos não se dá exclusivamente por via

incorporativa. Fazemos e assistimos também, pelos que têm vidência, intuição, audição e gostamos muito de o fazer pelos de mediunidade sensitiva, os únicos que não podem ser enganados ou mistificados.

Cícero: -Desculpe, Pai-preto, queira repisar mais esta lição porque, em todos os aspectos ou classes, tenho visto coisas relacionadas com a magia. Em todas assisti riscarem pembas dessa ou daquela forma.

Preto-velho: -Bem, “zi-cerô”, isso quer dizer que você anotou com segurança as três discriminações que fiz. Pois é claro que essa primeira classe é a que mais trabalho nos dá, devido ao seu volume, quantitativo e qualitativo. Nela, os filhos, levados pela justa tendência de suas finalidades, entram na corrente de Umbanda ou resolvem fazer “umbanda”.

Até aí, tudo certo, mas logo decidem praticar “magia de encenação”, através do que têm visto fazer sob a forma de grosseiras oferendas e sacrifícios que envolvem e atraem forças do astral inferior, que passam então a dominá-los, visto eles não terem o conhecimento certo dessascoisas, mormente quando riscam pembas (por impulsos), desconhecendo completamente a expressão mágica dos verdadeiros sinais riscados, causando assim, plena confusão de sinais ou signos, idêntica confusão na corrente mental e astral que por força de tudo isso está formada ou se forma, devido às atrações ou afinidades que vão imperar.

Na segunda classe, mesmo dentro da sinceridade, dos bons propósitos, contando até com filhos estudiosos, muitos egressos de outras correntes e religiões, são inúmeros os filhos que de repente se empolgam e fogem do âmbito religioso, doutrinário, começando também a praticar certos atos que pretendem ser de magia, por conta própria, embora em plano mais suave que os primeiros. Ora, se eles não estão ordenados ou mesmo capacitados para tal fim, se eles não têm o conhecimento que o assunto requer e ainda sem o beneplácito ou a garantia dos Guias e Protetores, para isso, o que pode acontecer? São logo envolvidos pelas forças relacionadas e invocadas que, não encontrando elementos de garantia, neles, tomam o campo, incentivam-lhes a vaidade latente, dessa ou daquela forma, atacam um ponto fraco qualquer...e... lá vem mais atividade para nós, mais fiscalização etc.

Em pouco tempo esses bons filhos criam o seu “cascãozinho”, que enrijece tanto, a ponto de vedar seu consciente à luz da humildade imprescindível ao bom umbandista.

Oh! Eterna vaidade, filha da ignorância!!! Até quando persistirás no inconsciente das criaturas, retardando sua evolução?

Cícero: - E a terceira classe, preto-velho, também dá trabalho?

Preto-velho: - Claro, “zi-cerô”. Infelizmente, muitos, dentro das prerrogativas do livre-arbítrio, também se extraviam.

E como já falei das condições negativas que existem ou que atuam, quer na primeira classe, quer na segunda, devo, embora com tristeza, citar que, nessa terceira classe, acontecem também graves fracassos, com esses aparelhos que recebem Ordens e Direitos de Trabalho...

Esses aparelhos (ou médiuns), meu filho, quando se extraviam ou, melhor, quando baqueiam, quase sempre acontece por causas morais. Não vou esmiuçar essas causas... Apenas afirmo que esses são os que mais sofrem – depois da borrasca. Sofrem dolorosamente, porque os seus dramas morais mediúnicos são relembrados por eles a todo instante, ativados pelo remorso e, especialmente, quando reconhecem, conscientemente, que perderam os contatos positivos de seus antigos Guias e Protetores.

Eles – que foram médiuns de fato – lutam desesperadamente para reaver os fluidos perdidos, isto é, a proteção de seu caboclo ou preto-velho, etc... No entanto, nada...

Então, dá-se um fenômeno curioso, que confunde a eles mesmos ou, melhor, os martirizam mais ainda, porque os deixam sempre nas eternas dúvidas. É o seguinte: -das antigas incorporações positivas, precisas, ficou, não resta dúvida mesmo, uma série de reflexos psíquicos condicionados ou de neuro-sensibilidade.

Esses reflexos neuropsíquicos ficaram impressos em seus centros nervosos ou sensitivos, no grupo de células que mais receberam a influência ou a ligação desses citados e antigos contatos mediúnicos e de seus protetores. Daí, sempre que, por um processo de associação mental ou psíquica, quando pela concentração ou mentalização, esse grupo de células revive ou externa seus reflexos ou as impressões sensoriais que guardou dos ditos antigos contados vibratórios que, realmente, recebiam de uma Entidade. Assim é que os pobres “médiuns” pensam, por via disso, que ainda têm os fluidos do “caboclo ou do preto-velho”...

Porém, eles sentem que a coisa se reflete – mas não é tal e qual era. Até pensam que estão apenas com a “mediunidade enfraquecida”... E haja preceitos e haja velas para o Anjo de Guarda... Coitados... Terríveis dilemas os assaltam. Dúvidas cruciais os atormentam... Será mesmo ou não?

Assim, quase sempre, dentro de duríssimas vaidades ou de um amor-próprio sem razão, vão imitando, pela prática ou por via desses citados reflexos psíquicos condicionados, o modo de apresentação das entidades que os assistiam no passado. Não confessam a ninguém os seus dramas mediúnicos...e acreditam que os outros não percebam o fracasso... Como se enganam!... Os outros já perceberam sim. Chegam até a ironizar deles, comentando: “Fulano é duro não quer dar o braço a torcer”...

E, geralmente, devido às condições em que caíram, entram em distúrbio, isto é, suas antenas mediúnicas que já saíram daquela tônica da antiga positividade, passam a dar contatos com espíritos atrasados e aproveitadores que, por essas antenas irregulares, entram em sintonia. Que fazem esses espíritos atrasados? Passam a influenciá-los, em nome dos protetores tais e tais. Aí é que a coisa toma um aspecto lamentável.

São envolvidos, a vaidade incentivada, etc. Então, passam a ter cismas diversas, desconfianças de toda a ordem, “intuições” atravessadas, fazem consultas erradas, predições falsas, etc. Que fazer? A maioria continua nesse roteiro de incerteza, erros e angústias. Porém, um ou outro consegue reabilitação.

Cai na meditação, na oração, num sincero arrependimento, etc. Recompõem-se na parte moral mediúnica. Entra na faixa da humildade, da tolerância e da compreensão e, certo dia, vê surgir nova aurora espiritual. Surpreso, presa de doce emoção, chorando até, constata a presença viva, atuante, dos verdadeiros contatos mediúnicos dos antigos protetores. Ele foi perdoado e receber a volta deles... Santo Deus! Somente os que passaram por isso sabem dar o valor a essa reintegração mediúnica.

Todavia, “zi-cerô”, não confunda esse caso de médiuns fracassados, com os daqueles que tombam, exaustos pelo entrechoque das lutas astrais e humanas, em defesa de um ideal – numa missão de esclarecimento e de verdade. Esses são amparados, jamais abandonados e curados de suas cicatrizes, para se reerguerem mais fortes do que dantes. Recebem o prêmio pelo esforço despendido, enfim, por todos os sofrimentos que passaram pelas traições e infâmias que perdoaram, quando lhes é dada a verdadeira Iniciação pelo astral e lhes confere o sinal, pelo selo dos Magos que surge na palma de suas mãos, a demonstrar-lhes que, de fato, “somente a verdade ficará de pé”... É filho meu, para que dizer mais?

MATTA E SILVA. W.W. Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um “Preto Velho”. 6ª edição.  Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1995.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

RECEITA MINUTO: COMO MANTER A SAÚDE

Na Umbanda Esotérica, há uma tríade que deve sempre ser lembrada pelo Adepto, para obtenção de plena saúde (física, mental e espiritual): 

Bons pensamentos, 

Bons sentimentos 

Boas ações. 

Vamos praticá-la?



Fonte: Mestre Aramirim

sexta-feira, 20 de julho de 2012


As oferendas na Umbanda



Na Umbanda, dentro das práticas ritualísticas, as oferendas possuem um importante papel, pois, muito mais que a mera intenção de agradecer, louvar ou agradar, no intuito de receber auxílio para determinado objetivo, elas constituem trabalhos de MAGIA.

Através destes trabalhos são movimentadas determinadas forças e energias, encerrando os ensinamentos magísticos da cabala, da magia mental, magia das cores, do som, dos elementos e da astrologia. Nenhuma oferenda deve agredir a Natureza, sob qualquer aspecto, portanto, não devemos deixar garrafas, lixo ou materiais que a Natureza não absorva. O verdadeiro adepto da Umbanda deve ter respeito à Natureza e a todas as formas de vida, por isso deve utilizar núcleos vibratórios específicos e materiais que tenham interação com o meio ambiente, oriundos dos reinos mineral e vegetal e jamais extirpar vidas animais nas oferendas.

Na verdadeira prática da Umbanda, que é trabalhar visando o amor ao próximo, não se sacrifica ser algum da Criação, isso inclui seus irmãos menores e irracionais. Tais práticas são desumanas, produto de atraso evolutivo e destituídas de qualquer utilidade para o progresso dentro da Lei. O sacrifício de animais é um contra senso, um paradoxo, pois se choca frontalmente com a regra básica de todo ser espiritualizado:

“ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Essa Lei está implicitamente ligada àquela outra que diz:

“não matarás”!

E ainda, há uma regra na magia que diz o seguinte: toda oferenda que estiver firmada em sangue, carnes sangrentas ou com animais abatidos ou sacrificados, sejam de 2 pés (galos, galinhas, patos, etc.), sejam de 4 pés (bodes, cabritos, cágados, etc.) são de ligação mágica inferior, grosseira e apenas encontram campos de afinidade dentro da chamada magia negra.

Nos trabalhos realizados na Umbanda, utiliza-se materiais naturais, que não agridam a natureza e tenham interação com o meio, tais como ervas, raízes, doces, conchas, pedras, fumo, essências, óleos, azeites e bebidas como vinho, cerveja, champanhe, cachaça, etc.
Também são utilizados copos e pratos, que devem ser preferencialmente de madeira, louça ou papel; fitas e panos que devem ser de algodão. Nas oferendas utilizamos elementos que concentram muito prana tais como vegetais, frutos, flores, folhas, sementes, mel e azeites. As velas são utilizadas em todos os trabalhos, como símbolo do fogo e para sua fixação, pois sem o fogo não há magia.

Fonte: Informativo da Tenda de Umbanda Esotérica Caboclo Pena Branca - Abatinga; nº.66 (jul/ago 2012)


sábado, 2 de junho de 2012

CAUSAS DE QUEDAS E FRACASSOS DE MÉDIUNS - PARTE 3



Agora falemos do 
3º CASO – A queda pelo fator SEXO. Esse é um dos aspectos mais escabrosos, um dos mais escusos e uma dos mais difíceis de ser perdoados pela entidade protetora... É um caso que está intimamente ligado ao 1o, ou seja, o da vaidade excessiva. Um se completa, quase sempre, com o outro, e às vezes os três juntos.Temos em nossos 26 anos de Umbanda, assistido, constatado, identificado, positivamente, a situação ou as condições de vários médiuns que caíram desastrosamente por causa do elemento sexo...

É que esse é um dos fracassos mais duros de ser suportado, não resta a menor dúvida, porque mais do que nos outros, a MORAL do médium fica na LAMA em que ele se SUJOU. Por mais que eles digam e se desculpem de toda forma, ninguém se esquece, ninguém consegue apagar da lembrança a causa do seu fracasso.... É uma MANCHA, que, mesmo que ele tenha se regenerado completamente , mesmo assim, não se apaga...

Já dissemos como é que o médium de fato é logo envolvido pelas criaturas, com admiração, bajulações e fanatismo. Ele sente um constante endeusamento em torno de si e quase que sem sentir vai caindo na faixa da vaidade. Particularmente (convém repetir) se sente muito visado pelo elemento feminino, que tem a propensão para se deixar fascinar pela mediunidade, mormente quando a vê num homem bem apessoado.

Bem, todo médium que trabalha na faixa da luz, no combate a todas as mazelas, especialmente contra o baixo-astral – convém sempre que o lembremos – é avisado constantemente pelas entidades protetoras de que sua regra de todo instante é o “orai e vigiai”... Por quê? Porque o baixo-astral que ele contraria, por força de sua mediunidade positiva, fica na sombra aguardando uma oportunidade para atacá-lo... Logo, se ele tem um ponto fraco qualquer, nesse caso, uma forte predisposição sensual, é certo que esse mesmo baixo-astral lançará mão de todos os recursos para instigá-lo nessa parte...

Então, como não podem atacar diretamente, costumam fazê-lo, lançando sobre ele a tentação do sexo através de algum elemento feminino que o cerca e que por sua própria natureza é fraco. Isso no caso do homem-médium. No caso da mulher médium é a mesma coisa. Essa cai mais depressa. Lançam o elemento masculino sobre elas e pronto... quase não tem muito trabalho, pois a mulher tem uma ponte de contato maior, muito maior do que o homem, para o baixo-astral – é sua natural vaidade que é logo decuplicada... e pronto... é difícil escapar (há exceções, é claro. Estamos nos referindo à causa comum do fracasso).

Mas que não haja dúvidas do seguinte: o médium é alertado, pela sua entidade protetora, de todos os aspectos negativos que o cercam. Exercem uma constante vigilância sobre ele e nada acontece a esse médium se ele está dentro da moral ou da “linha justa”. Agora, se esse médium, usando de seu livre-arbítrio, dentro de uma incontida predisposição, já por ter criado pela vaidade uma série de condições negativas, vira as costas à moral e à “linha justa”, construiu a ponte de contato mental ou vibratório para as influências inferiores. Dentro dessas condições ele está repelindo as influencias benéficas e protetoras de suas entidades, que se vêem jogadas a um segundo plano...

E é por tudo isso que, nessas questões, nesses casos de médiuns-fracassados por causa de forte incontinência sexual ou pelo irrefreável sensualismo em torno de mulher ou moça de seu próprio terreiro, não tem desculpa... ou melhor: um ou outro, excepcionalmente, dadas certas condições particularíssimas de sua vida, foram desculpados, porém, dentro do ultimatum de ser o primeiro e o último...

Porque, infelizmente, é duro mas nós vamos dizer: todos os fracassos, todas as quedas de médiuns, quer seja homem ou mulher, tem se dado, invariavelmente, com elementos ou criaturas que estão dentro do terreiro ou que fazem parte do corpo-mediúnico, isto é, criaturas que estão sob a responsabilidade moral e espiritual do médium-chefe...

Não é que estejamos nos arvorando de Juiz – longe disso! Quem somos nós para isso... Estamos nos baseando, tão-somente, na observação fria, no fato inconteste de que, quase todos eles – os médiuns decaídos – foram abandonados pelos seus protetores imediatamente e esses protetores não mais voltaram... E se abandonaram e não mais voltaram é porque não desculparam o ERRO ou os erros... E é claro, patente que, se esses protetores não mais voltaram a ter ligações mediúnicas com o seu “aparelho”, é porque ele NÃO SE REGENEROU, não entrou no sincero arrependimento, indispensável à verdadeira reintegração moral-mediúnica...

Assim falamos porque, além da observação direta, além dos esclarecimentos dados sobre o assunto por uma entidade amiga, temos acolhido as lágrimas de remorso de inúmeros irmãos que foram, no passado, médiuns de fato e que depois de terem usufruído por muito tempo de toda uma aparente situação, acabaram rolando pelo caminho da doença, da miséria material e moral...

Assim, queremos reafirmar aqui, em tintas negras, para esses irmãos médiuns que estão predispostos ou que PROSTITUIRAM a sua mediunidade e que CONTINUAM dentro dessas condições, isto é, sem terem até o presente procurado o caminho da REGENERAÇÃO, sinceramente, humildemente, que a LEI É DURA e eles não podem nem imaginar o ABISMO DE HORRORES que os esperam do outro lado da vida...

Esses médiuns decaídos, fracassados, que persistem no caminho do erro, quando desencarnarem se verão face a face com o cortejo de horrores, blasfêmias, ameaças e clamores de vingança daqueles que eles envolverem em suas tramas de erros, interesses mesquinhos, por via de seus trabalhos, de suas consultas erradas, de toda má orientação que deram a seus semelhantes. Por via da influência inferior que acolheram. Verá todo aquele baixo-astral, que ele arrebanhou para servi-lo através dos preceitos grosseiros em que ele se transviou, RIR SATANICAMENTE, fazendo valer seus diretos de conluio, isto é, arrebatá-lo para o seu lado...

Verá, quando transpuser o túmulo (se desprender dos laços carnais, pela “morte”) como num panorama tétrico, o desfilar em sua própria consciência de todos os seus desacertos. A sua imaginação apavorada, exaltada, fará uma revisão tão precisa de seu passado, que tremendos pesadelos astrais o acometerão como hediondos fantasmas que não dominará e nem sequer poderá afastar de sua menteespiritual... Angustiado, acovardado, se verá presa desse astral-inferior e dos irmãos que ele enganou e prejudicou na vida terrena... Ele será arrebatado – quase sempre é assim – pelo astral inferior por muito tempo, até que a Providência Divina lhe dê uma chance para libertação...

Agora devemos reafirmar duas coisas. 1a – Que nem todos os médiuns, por que são da Corrente de Umbanda e por força dessa circunstância tem de lidar com os efeitos do baixo-astral, tendem fatalmente a serem atacados, a serem envolvidos, enfim, a fracassar... Não! Nos da corrente dita como kardecista, essas situações também acontecem ... “aqui como lá, maus fados há”...

Conhecemos também vários médiuns de fato que tem a proteção do seu “caboclo, de seu preto-velho”, desde o princípio, há 15, 20 e mais anos. Nunca se desviaram da linha-justa e nunca sofreram nada a não ser as naturais injunções ou provações de seus próprios karmas...
A 2a reafirmação é a seguinte: que no caso de todos os médiuns fracassados, os seus protetores muito lutaram para evitar as suas quedas; fizeram o possível e o “impossível”. Muitos desses “caboclos, desses pretos-velhos”, chegam até a disciplinar, a castigar mesmo o aparelho, antes do abandono final. Por vezes, jogado numa cama, com pertinaz moléstia, por meses e até por um, dois e mais anos.

Dão-lhes certos tombos na vida material. Fazem ficar desempregados, passando necessidades etc. É como se diz na “gira de terreiro”... “fulano está apanhando que só boi de canga”... Esses médiuns que estão dentro dessas condições disciplinares ficam revoltados, chegam até a xingar os seus guias etc., e costumam “correr outra gira”, para ver “o que é que há com eles”.

E lá vão se queixar ao protetor do outro, que naturalmente já sabe do que se trata. É quando “preto-velho” diz com muita propriedade: “em surra de preto velho eu não boto a mão”... ou então, “quando caboclo bate, não reparte pancada”... Depois de uma séria disciplina, alguns desses médiuns se emendam, ficam com medo e não facilitam mais, isto é, começam a dominar a excessiva-vaidade ou voltam à linha-justa quanto à ambição pelo dinheiro ou às cobranças desregradas, ou sobrepujam as suas predisposições sensuais incontidas...

Porém, a maior parte desses médiuns, mesmo passando por uma disciplina, um duro castigo, mesmo assim, voltam a inclinar-se desastrosamente nas antigas e adormecidas predisposições... então “caboclo ou preto-velho”, vê que não há mais jeito... não adiantou o castigo, nem advertência, nem nada... Assim, é um fato, é uma verdade que nenhum desses médiuns-fracassados ficou com o seu protetor, em sua guarda, depois de terem errado, persistindo no erro. Esses “médiuns” costumam se desculpar, depois, dizendo que caíram vítimas de demandas muito fortes etc... mas não! Foi “força de pemba” mesmo. Foi a Lei que faz executar sobre eles o “semeia e colhe”...

A “força de pemba” às vezes é tão grande, desce com tanta rapidez sobre o médium que prostituiu sua mediunidade que muitos são levados ao suicídio, à embriaguez e a vergonhas maiores...

Você, meu irmão umbandista (ou não) que acaba de ler tudo isso, sabe lá o quão doloroso é, para um médium, depois de ter sido admirado, acatado, respeitado, tido sua fase de glória mediúnica, acabar completamente desmoralizado, desprezado, em face de sua moral-mediúnica, sua moral-doméstica e social que ficou a ZERO?....

Porque, meu irmão umbandista – cremos que você compreendeu bem o caso – não é o erro em si, porque errar é humano e afinal todos nós podemos escorregar, de uma forma ou de outra! A questão é cometer o mesmo erro, é persistir nos MESMOS ERROS. Caboclo e preto-velho não são CARRASCOS, mas não podem acobertar erros nem a repetição dos mesmos erros....


W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani)
[originalmente publicada no livro "Umbanda do Brasil" - Livraria Freitas Bastos].