quinta-feira, 3 de maio de 2012



A quem pertence um presente?

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar o zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta.  

Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo, e aumentar sua fama. Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos, ofendendo inclusive seus ancestrais.  Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.  No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato de que o mestre aceitar tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: "Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?"

"Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?" - perguntou o Samurai. "A quem tentou entregá-lo" - respondeu um dos discípulos. "O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos" - disse o mestre. "Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir..."

terça-feira, 1 de maio de 2012

RECEITA MINUTO:

SIMPATIA PARA PRENDER A PESSOA AMADA


1) Coloque 1 Kg de Maconha ou Cocaína na mochila da pessoa amada;


2) Ligue 190.

(Dá certo em 100% dos casos!)

sábado, 28 de abril de 2012


ORAÇÃO A OGUM*
Ogum, meu Pai – vencedor de demanda, poderoso guardião da Lei de Deus!
A ti elevamos nossos pensamentos, para te saudar e homenagear, de corpo e espírito.
Mensageiro de Oxalá, vós que sois nosso aliado no combate às inferioridades que temos; ajuda-nos a derrotar nosso egoísmo, nossa vaidade e nossa prepotência.
Sede o domador dos sentimentos espúrios que ainda guardamos em nossos corações, depurando com vossa lança a nossa consciente ou inconsciente fraqueza de caráter.
Ogum! Irmão, amigo e companheiro! Continue em vossa Ronda, na perseguição aos defeitos que nos assaltam a cada instante.
Ogum! Glorioso Orixá! Reine com Vossa falange de milhões de guerreiros, e mostrai, por piedade, o bom caminho para nosso coração, consciência e espírito.
Despedaçai, Ogum, os monstros que habitam nosso ser, expulsai-os da cidadela inferior de nossas mentes.
Ogum! Senhor da noite e do dia! Livrai-nos da tentação e inspira-nos a caminhar na retidão que há de nos conduzir ao Pai Maior.
Dai-nos coragem e esperança, fortalecei nossa fé e auxiliai-nos em nossas necessidades, dentro do nosso merecimento. 
Intrépido Orixá! Envia-nos tua proteção, abrindo nossos caminhos, aplainando as nossas estradas, afastando obstáculos e dando-nos coragem e força.
Sede pois, Senhor Ogum, o General de nossas vidas,  hoje e sempre.
Que assim seja.

* = oração composta por Andréa Oliveira Salgado.

terça-feira, 24 de abril de 2012


Com grande alegria celebramos ontém o 31º aniversário da Tenda de Umbanda Esotérica Divina Luz. Em gratidão direta à suprema manifestação do amor de Deus em nossas vidas, mormente através da vontade e da ação dos Entes Espirituais que nos orientam, realizamos em nossa sede uma singela cerimônia, para exortar a renovação de nosso compromisso perante os sólidos fundamentos cristãos e umbandistas, que sempre foram incentivados e propagados pela fundadora da TUEDLUZ - Argentina Oliveira Salgado (Yanacosã), a quem carinhosamente chamávamos de Mãe Tina.
Mãe Tina aplicou muito suor, lágrimas e alegrias na estruturação física da TUEDLUZ. Por conta de seu empreendedorismo, hoje nos servimos de um Santuário acolhedor, e em suas dependências podemos redescobrir a autenticidade do Evangelho do Cristo, seja pelos sábios conselhos de um negro escravo, pelas austeras orientações de um índio guerreiro, pelos alegres ensinamentos de Mestres mirins, ou, ainda, pelos possantes aforismos dos Guardiões da Lei Karmânica.
Relembro aqui a nobreza do caráter de nossa fundadora, para ressaltar como foi marcante a sua audácia em criar e desenvolver um projeto religioso despretencioso de cargos, ostentações, luxo, riqueza. Desprovido de títulos hierárquicos, distanciado de agrupamentos que se perderam na autenticidade da nossa religião, e se disvirtuaram dos deveres do médium umbandista. Desde sempre, a TUEDLUZ teve sua trajetória orientada para servir, tão somente, como um Templo de Amor, devoção, caridade e fraternidade. Sob este foco, sua idealizadora se manteve firme na condução do Templo, por vinte e cinco anos, na incessante tarefa de acolher os corações aflitos que se apresentavam em nossas sessões públicas. Para tanto, sempre contamos com a misericordiosa intervenção dos nossos Mentores Espirituais, excelsos transmissores da Palavra Redviva do Cristo.
Sete anos se passaram desde a partida de Mãe Tina para a vida espiritual plena. Há sete anos recebemos, sob lágrimas de saudade e nostalgia, a tarefa de dar continuidade ao ideal doutrinário e fraterno de nossa precursora. Sublimado o nosso enlutamento, a celebração desses 31 anos vem marcar o desfecho de um ciclo que nos conduziu ao amadurecimento e aprimoramento necessários, e que agora nos prepara para uma nova etapa de trabalhos, conciliados ao nosso autoconhecimento.
Há motivo de sobra para comemorar, mas ainda há muito por fazer. Há muito o que burilar em nós mesmos, despindo-nos da vaidade, da mediocridade, da ignorância proposital, da estagnação e do desmazê-lo perante a nossa evolução espiritual, bem como de nossa atitude em relação à transformação do planeta que habitamos. A sociedade deve redescobrir a autenticidade original da Umbanda, e é NOSSA obrigação sustentar seus pilares, calcados na mensagem cristã de salvação, verdade, esperança e alegria. Chegou o tempo de falar corajosamente da vida sacerdotal, como valor inestimável, como forma esplêndida de vida, manifesta na abnegação na e dedicação ao Aumbhandham. Outrossim, é imperioso propugnarmos quão fundamental é a presença do Verbo Solar em nossas existências, e a necessidade de compartilha-la indistintamente, ao nosso redor, para o bem-estar da coletividade humana.
Rogo aos portentosos Emissários da Umbanda para que nos fortaleçam e nos indiquem sempre o caminho de retidão, no exercício de cada tarefa que nos for sugerida ou encaminhada. Agradeço à Divina Providência pelos tantos reencontros que estamos protagonizando, com Irmãos de Fé que há muito pensávamos não estarem fisicamente tão próximos de nós. Com o alento e carinho que estes amigos nos brindam, certamente caminharemos cada vez mais unidos, rumo ao refinamento das tarefas que nos foram propostas.
Obrigada pela presença e pela atenção de todos os meus irmãos em Cristo. Que neste ano solar, aos trinta e um anos da Tenda de Umbanda Esotérica Divina Luz, tenhamos cada vez mais momentos de alegria e convivência harmoniosa, acatando a Lei de nosso Pai Excelso.
Que os Orixás nos abençoem, hoje e sempre.

Andréa Oliveira Salgado
Presidente da TUEDLUZ

quinta-feira, 19 de abril de 2012

AH, EU RECOMENDO!

HOMENS INVISÍVEIS: RELATOS DE UMA HUMILHAÇÃO SOCIAL

Uma vez por semana, Fernando Braga da Costa veste uniforme e vai varrer ruas. Carrega esterco, limpa fossas, trabalha debaixo de chuva ou sol. Por causa disso, desenvolveu tendinite nos antebraços. A rotina começou há 10 anos, com um trabalho de Psicologia Social, disciplina que cursava na USP e que propunha aos alunos assumirem uma profissão reservada às classes pobres durante um dia. Fernando escolheu ser gari na própria universidade. As descobertas o levaram a estudar profundamente a relação da sociedade com esses trabalhadores, o que resultou no livro Homens Invisíveis – Relatos de uma Humilhação Social (Globo, 256 páginas).

“Como gari, senti na pele o que é um trabalho degradante. Vivi situações que me impulsionaram a entender melhor o nosso meio psicossocial”, explica ele, que desenvolveu a tese sobre a “invisibilidade pública”, isto é, profissionais como faxineiros, ascensoristas, empacotadores e garis não são “vistos” pela sociedade, que enxerga a função, não a pessoa. Uma das situações experimentadas por Fernando foi atravessar os corredores da faculdade uniformizado. Ninguém nem sequer olhou para ele ou o cumprimentou. “A invisibilidade e a humilhação repercutem até na maneira como você anda, fala, olha. Eles não conseguem nos olhar de frente e, quando olham, piscam rapidamente. O modo de andar lembra movimentos de robô”, conta ele. O objetivo não é só conquistar condições melhores para os varredores. “É preciso reinventar a divisão de trabalho para que não exista uma pessoa responsável por limpar nossa sujeira. Se não, não conheceremos democracia de verdade ou uma sociedade de iguais. O trabalho de gari parece natural hoje como a escravidão era há 300 anos.”


Homens Invisíveis - Relatos de uma Humilhação Social

Fernando Braga da Costa
256 páginas, Editora Globo
R$ 40 (em média, sem frete)


Fonte da resenha: Marina Monzillo - ISTOÉ Gente