sexta-feira, 29 de julho de 2011

PARA REFLETIR...

O ESPAÇO QUE VOCÊ OCUPA
Neimar de Barros *

O espaço da letra i é menor que aquele ocupado pela letra m, mas sua importância é grande porque se não comparecer na composição de sua palavra, esta não fica completa.

Não importa o espaço que ocupamos, mas o que fazemos com ele.

Quando chegamos, chega conosco o BEM?

Ocupamos o espaço porque no-lo reservaram ou porque merecemos?

Chegamos para ocupar nosso espaço com amor ou simplesmente para preencher um vazio?

Preocupo-me em valorizar e promover os que me rodeiam, ou quero que os espaços em torno sejam só pra me servir?

O que tenho feito do espaço que ocupo? Sou um i que não entra na composição da palavra  C R  S T O ???

Sou um m que foge da palavra  A   O R ???

Que tenho feito? Não entro, fujo, não correspondo? Que faço eu da minha presença?

E.T. – Se o “S”, por preguiça, vagabundagem, não quiser ir, e mandar o “M”, não será a mesma coisa. Veja só:     O R T E


MEDITAÇÃO: É hora de assumir a missão!



* = do livro “O Diabo é cor de rosa”
Sorvil Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 1º Edição, 1977

quarta-feira, 27 de julho de 2011

ACERVO FOTOGRÁFICO


Prédica inicial de Mãe Tina, à ocasião da inaguração da sede própria da TUEDLUZ, em setembro de 1988.


terça-feira, 26 de julho de 2011

ACERVO FOTOGRÁFICO

dedicatória de W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani) à Argentina Oliveira Salgado (Mãe Tina), na primeira página de um exemplar de "Umbanda de Todos Nós" - 05/07/1977.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

BAÚ DA MÃE


SENTINELA

Exista quantos olhos existirem
Que de nada adiantariam
Para nos prestar sentinela
Às ambições que nos cercam,
Aos invejosos que nos vêem,
Aos pobres de espírito que circulam dentre nós

E aqueles que passam por bons
Mas, no entanto,
Olham-nos com desdém,
Com inveja e despeito.

Somos, por conveniência de nós mesmos
Elementos sem sentinelas
Porque não sabemos
Ou não queremos aprender
A orar a Deus com sentimentos de Amor.

Esquecemos a nossa obrigação como filho Dele.
Esquecemos que devemos nossas vidas terrenas a Ele.

Ignoramos em tudo e por tudo
Que aqui nos encontramos num mundo de expiações,
E, a nós, compete
Adotar uma conduta de vida digna
De nos fazer merecer a bondade Divina
E aí, então, não precisaríamos de sentinelas,
Bastando tão somente a luz de Deus
A guiar-nos na caminhada desta vida.


Mãe Tina
(artigo concebido em abril de 1986, e publicado no Periódico Buscando Luz Nº 39 – edição de abril de 2000).

domingo, 24 de julho de 2011

AS SETE LÁGRIMAS DE PAI-PRETO


Foi numa noite estranha, aquela noite queda; estranhas vibrações penetravam no meu Ser Mental e me faziam ansiado por algo, que pouco a pouco se fazia definir...


Era um quê desconhecido, mas sentia-o, como se estivesse em comunhão com minha alma, e externava a sensação de um silencioso pranto...

Quem do mundo Astral emocionava assim um pobre “eu”? Não o soube, até adormecer... e “sonhar”...

Vi meu “duplo” transportar-se, atraído por cânticos que falavam de Aruanda, Estrela Guia Zambi, eram as vozes da SENHORA DA LUZ VELADA , dessa UMBANDA DE TODOS NÓS que chamavam seus filhos de fé...

E fui visitando Cabanas e Tendas, onde multidões desfilavam, mas, surpreso ficava, com aquela “visão” que em cada um eu “via”, invariavelmente, num canto, pitando, um triste preto velho chorava.
De seus “olhos” molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces, não sei porque, contei-as...foram sete. Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o: fala meu Pai Preto, diz ao teu filho, por que externas assim tão visível dor?

E ele, suave, respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e saí? As lágrimas contadas distribuídas estão a cada uma delas.

A primeira eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

Outra, a esses eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um “milagre” que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.

E mais outra foi para esses que crêem, porém, numa crença cega, escrava de seus interesses estreitos. São os que vivem eternamente tratando de “casos” nascentes uns após outros...
E outra mais distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejam sempre prejudicar a um seu semelhante – eles pensam que nós, os Guias, somos veículos de suas mazelas, paixões , e temos obrigação de fazer o que pedem... pobres almas, que das brumas ainda não saíram.

Assim, vai lembrando bem, a quinta lágrima foi diretamente aos frios e calculistas – não crêem, nem descrêem: sabem que existe uma força e procuram se beneficiar dela de qualquer forma. Cuida-se deles, não conhecem a palavra gratidão, negarão amanhã até que conheceram uma casa de Umbanda...

Chegam suaves, têm o riso e o elogio na flor dos lábios, são fáceis, muito fáceis; mas se olhares bem seus semblantes, verás escrito em letras claras: creio na tua Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o “meu caso”, ou me curarem “disso ou daquilo” ...

A sexta lágrima eu a dei aos fúteis que andam de Tenda em Tenda, não acreditam em nada, buscam aconchegos e conchavos; seus olhos revelam um interesse diferente, sei bem o que eles buscam.

E a sétima, filho, notaste como foi grande e como deslizou pesada? Foi a ÚLTIMA LÁGRIMA, aquela que “vive” nos "olhos" de todos os “pretos-velhos”; Fiz doação dessa, aos vaidosos, cheios de empáfia, para que lavem suas máscaras e todos possam vê-los como realmente são...

“Cegos, guias de Cegos”, andam se exibindo com a Banda, tal e qual mariposas em torno da luz; essa mesma luz que eles não conseguem VER, porque só visam a exteriorização de seus próprios “egos”.

“Olhai-os” bem, vede como suas fisionomias são turvas e desconfiadas; observai-os quando falam “doutrinando”; suas vozes são ocas, dizem tudo de “cor e salteado”, numa linguagem sem calor, cantando loas aos nossos Guias e Protetores, em conselhos e conceitos de caridade, essa mesma caridade que não fazem, aferrados ao conforto da matéria e a gula do vil metal. Eles não têm convicção.

Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma, as SETE LÁGRIMAS DE PAI-PRETO! Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar: não tens mais nada a dizer, Pai Preto? E daquela “forma velha”, vi um véu caindo e num clarão imenso que ofuscava tanto, ouvi mais uma vez...

“Mando a luz da minha transfiguração, para aqueles que esquecidos pensam que estão... ELES FORMAM A MAIOR DESSAS MULTIDÕES...”

São os humildes, os simples, estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança pela razão...SÃO OS SEUS FILHOS DE FÉ.

São também os “aparelhos”, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas se chamam DOM e FÉ, e seus salários quase sempre são pagos com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra – a INGRATIDÃO...

W. W. da Matta e Silva (Mestre Yapacani)
[originalmente publicada no livro Umbanda de Todos Nós, 2ª edição (1960) - Livraria Freitas Bastos].



Nossa nota:

Certamente, as “SETE LÁGRIMAS DE PAI PRETO” é a produção literária de maior destaque na distinta trajetória de W. W. da Matta e Silva, enquanto escritor umbandista. Foi concebida numa época conturbada, em um contexto social que deixava a Umbanda entregue aos mais pedantes conceitos, mormente perante a mídia e a opinião pública. Depois de cinqüenta anos, o panorama não é muito diferente daquele enfrentado por Pai da Matta: os terreiros de Umbanda continuam assistindo ao desfile das massas que merecem as consternadas lágrimas dos pretos-velhos.

Os merecedores da sétima lágrima ainda estão em plena atividade, “doutrinando” consciências de forma, no mínimo, duvidosa. Com o avanço tecnológico, há um agravante: escândalos e deturpações doutrinárias se propagam muito mais rápido, e permanecem acesos por mais tempo no imaginário coletivo, sempre sedento por histórias “macabras”, ainda que levianamente atreladas à Umbanda.

A “SETE LÁGRIMAS DE PAI PRETO” costuma ser encontrada na Internet como sendo de autoria desconhecida. Em alguns sites, é vista com alterações diversas; que mutilam ou acrescentam versos ao texto original. Justiça seja feita então, em nosso blog. Reproduzimos acima a versão original que foi publicada em 1960, na segunda edição de “Umbanda de Todos Nós” – primeiro livro escrito por Pai da Matta.